A CABALA DA INVEJA

Editora Rocco

Último livro da trilogia inspirada no ditado judaico “De três maneiras é uma pessoa conhecida: através de seu corpo, seu bolso e sua raiva”, A Cabala da inveja, de Nilton Bonder, trata de um tema mais atual do que nunca: a violência. Tomando por base as relações humanas mais comuns, a obra revela tanto a agressividade que liberamos quanto a que estamos expostos ao interagir com outras pessoas. A partir dessa análise, é possível ter disciplina não só para apaziguar conflitos como para conhecer a si mesmo e tornar a Terra um pouco mais parecida com o mundo vindouro.

Segundo a Cabala, somos feitos de dimensões minerais, vegetais, animais e divinas. Nesse contexto, a raiva é animal. E a inveja, na medida em que retém no coração muito ódio, nada mais é do que um receptáculo de raiva. Para o autor, é uma espécie de celulite emocional e espiritual, capaz de controlar atos, situações e vidas inteiras. Esse sentimento tão nocivo estimula rixas e nos faz gastar imensas doses de vitalidade. Ao lidarmos com a inveja e os conflitos afetivos em relação ao outro, acabamos por explorar as fronteiras do ser humano.

Nilton Bonder explica que a paz e a tranquilidade são estados passageiros de equilíbrio. Justamente por isso devemos buscá-las constantemente, em vez de ceder à tentação de nos irritarmos com sua transitoriedade. Ao aprender a conviver com o que chamamos de má vontade e não levar tudo para o lado pessoal, temos a capacidade de escapar das armadilhas do rancor e embarcar em uma aventura rumo ao verdadeiro perdão, capaz de acalmar um espírito angustiado.

A Cabala da inveja ainda traz um guia prático de comportamentos que nos ajudam a evitar possíveis entradas em conflitos. Ter a consciência do exato momento em que se está irritado, não ser afoito e reconhecer a realidade dinâmica das interações, preparando-se para elas, são atitudes fundamentais para impedir situações em que o atrito assume proporções consideráveis. Não há forma de amarmos o próximo se ignoramos o que lhe causa desconforto ou sofrimento. Saber respeitar a dor alheia é o primeiro passo para aprender a gostar de quem consideramos um inimigo e ampliar nosso alcance de visão, estabelecendo pontes entre o mundo concreto e o espiritual.